Não rime contra a vontade. As palavras têm vida própria, se juntam, se separam, se perdem, se misturam. Arrancam os cabelos umas das outras, se negam. Decidem sozinhas que papel têm em cada frase. Não cite poemas famosos. Elas querem ser originais mais do que tudo. Não fale “eu te amo” em vão. As palavras também se sentem ofendidas e enganadas. Se magoam, se perdoam. Até esquecem o que significavam. Existem palavras verdes que crescem, crescem, crescem. Sentidos que envelhecem. Sons que enfraquecem. Algumas têm medidas diferentes para cada pessoa, ou só vão pesar daqui a um tempo. É preciso silêncio para compreender. Acho que preciso desse espaço.
As palavras tem peso e textura. É possível sentir um doce, amargo, agridoce ao dizê-las. Não entendo porquê as pessoas chegam a utilizá-la de forma tão leviana se podem construir palácios e monumentos dignos de Niemeyer em suas conjugações.